quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Quarta do Terror - A Bruxa de Blair



Direção: Adam Wingard
Ano: 2016
País: EUA
Duração: 89 Minutos
Título Original: Blair Witch


Sinopse:
Um grupo de estudantes universitários se aventura na floresta de Black Hills para desvendar os mistérios que cercam o desaparecimento da irmã de James, que muitos acreditam estar ligado à lenda da Bruxa de Blair. No início, o grupo está esperançoso, especialmente quando uma dupla de moradores se oferece para guiá-los na floresta. Mas com o cair da noite, o grupo é surpreendido por uma presença ameaçadora e, lentamente, eles começam a perceber que a lenda é real e muito mais sinistra do que imaginaram.

Crítica:
Eu me lembro como se fosse ontem, da vez em que assisti ao primeiro Bruxa de Blair. Minha tia alugou a fita na locadora, mas deixou bem claro que as crianças - meus primos, irmãos e eu - não podiam assisti-lo. Resultado: esperei todos os adultos dormirem, peguei a fita e assisti o filme escondido, quase sem som. Na época, não sei o que era mais assustador: A Bruxa de Blair ou ser pega no flagra por alguém. Eu tinha dez anos na época. E quinze anos depois, a sequência de Bruxa de Blair estréia nos cinemas, dando-me uma sensação de completa nostalgia, com saudades do tempo em que os filmes de terror eram realmente bons de assistir.

Para quem não sabe, A Bruxa de Blair foi um dos precursores do gênero "falso documentário", estilo de filmagem que viria a ser incessantemente utilizado anos depois, e que deu à película um ar de "baseado em fatos reais". A Bruxa de Blair com certeza tornou-se um grande marco na história do cinema, e deixou seu nome na lista dos maiores filmes de suspense e terror já criados. O longa, sem dúvidas, impactou muitos fãs do gênero no final dos anos 90, por oferecer uma experiência genuinamente assustadora, não só pelo estilo de filmagem ou pelo zelo no planejado pelos diretores, mas também por todo o jogo de marketing por trás do mesmo, que incluiu na época, a distribuição de cartazes de "desaparecido" com as fotos dos atores e a divulgação do longa como um documentário. Mesmo com tamanho sucesso, o longa permaneceu "filho único" por uma década e meia.


Os amantes do terror com certeza perceberam que os filmes do gênero vem decaindo conforme os anos passam, e com isso, aliado a falta de criatividade que anda cercando o mundo do cinema, as maiores ferramentas utilizadas atualmente são os degenerados remakes e continuações de filmes antigos que fizeram grande sucesso outrora. Quando eu soube que A Bruxa de Blair teria uma sequência, logo imaginei que seria um grande fiasco. Francamente, esperava apenas o mínimo do longa, que ganhou o apelido de "A Bruxa de Blair 2016" - desejei do fundo da alma que fosse, pelo menos, tragável. Bom, não é preciso dizer que o longa atingiu e ultrapassou em muito minhas expectativas.

A película conta a história de Peter, irmão de Heather, uma das personagens principais do primeiro filme. James não acredita na hipótese de que sua irmã, desaparecida há 17 anos esteja morta, e suas esperanças aumentam depois que um casal encontra uma fita com algumas imagens da jovem e upam o vídeo na internet. Logo, o protagonista junta um grupo de amigos e parte em uma busca de Heather.


É interessante notar como o antigo e o novo se fundem em A Bruxa de Blair 2016. No mesmo cenário onde o primeiro título foi gravado em 1999, o grupo de aventureiros equipa-se com os mais modernos aparatos tecnológicos da atualidade: microcâmeras, câmeras portáteis e câmeras auriculares de última geração, GPS, rádios de comunicação, celulares, tablets e até um drone. Mesmo com toda essa tecnologia, o diretor Wingard foi muito profissional e conseguiu igualar as sensações do primeiro Bruxa de Blair, sem deixar, é claro, que o segundo se tornasse uma simples cópia do primeiro.

A mitologia por trás da floresta e de sua ilustre "moradora" foi abordada de forma mais ampla na sequência de 1999, o que deixou o filme realmente com cara de continuação, mesmo anos depois do primeiro longa. Todo o filme foi trabalhado com este propósito, e não há qualquer ponta solta em relação ao passado, e isso é, sem dúvida, gratificante para todos os fãs do título. A Bruxa de Blair foi elaborado com maestria, não sendo mais um filme com sustos baratos, com barulhos altos,

Há ainda o fator "humor" neste longa, que ajuda na criação de empatia pelos personagens. O grupo de atores que compõe os personagens é muito coeso, e combina perfeitamente com a proposta do filme, embora sejam rostos conhecidos de filmes de Hollywood, o que com certeza faz com que a sensação de "fatos reais" sentida no primeiro Bruxa de Blair se perca completamente.

Contudo, o filme segue em um ritmo lento e chato na primeira metade. Muitas das cenas vistas pelo espectador dão a impressão de servirem apenas para "encher linguiça". O estilo found footage também já não é efetivo, e em dados momentos, você se vê se forçando a tentar acreditar que trata-se de um registro real. Outro problema é a quantidade de clichés que são abordados em A Bruxa de Blair 2016, que podem desanimar os espectadores mais experientes em filmes de terror.


Apesar disso, o espectador consegue se deixar levar pela trama. O longa é divertido, a fotografia é fantástica, o final é agradável, e o filme dispõe de uma boa dose de terror, tudo o que precisamos neste conturbado momento em que anda o cinema.

Nota:

Assista:


Bom filme!

2 comentários:

  1. Aí sim hein tia Metz! Ba eu tinha um medo desse filme quando era pequena! Olhei o 2 semana passada, e também superou minhas expectativas! Vale apena olhar os dois!

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